Hoje estive visitando a Feira APAS 2008, promovida pela Associação Paulista de Supermercados. O tema deste ano é “consumo sustentável”. Parece que a moda da sustentabilidade está pegando, como se fosse um viral (rs). Espero, e muito, que ela dê mesmo certo e as empresas saibam como conduzir isso de maneira que tragam os benefícios prometidos para a sociedade.
Por ter atuado em uma empresa de alimentos no inicio da minha carreira, a Nissin-Miojo carrego um grande número de amigos, colegas e conhecidos pelos corredores e visitantes da feira. Ah, só pra comentar, todos os anos o Sistema Globo de Rádio (empresa que há cinco anos me emprega) tem um estande com a programação ao vivo das suas emissoras, que já foi Rádio Globo e nos últimos dois anos tem estampando a marca da Rede CBN. Então tenho mais que um bom motivo para lá estar.
Tentei olhar o evento de vários pontos de vista. Primeiro pelo prisma de tentar entender melhor as inovações destinadas ao setor supermercadista, as empresas expositoras, estabelecer nos contatos, networking, prospecção novos clientes, negócios, oportunidades, idéias e assim por diante. Neste ponto de vista, nada muito diferente dos outros anos. Talvez, alguns novos expositores.
Depois pelo prisma de um socialista, o que mais me chamou atenção foram dois pontos. Primeiro: notei que não existiam mais aqueles megas estandes dos principais fornecedores do varejo de alimentos, ostentando luxo e riqueza. A feira pareceu mais profissionalizada, com menos bundas e peitos das modeletes, bem porque, o crescimento de mulheres em cargos estratégicos no setor de varejo e dentro das próprias empresas expositoras, tem favorecido isso. Segundo: As empresas estão se preocupando mais com o tema responsabilidade social no que diz respeito ao consumo, pois em vários estandes de bebidas alcoólicas, notei placas de restrição ao consumo de cerveja e chopp próximo ao horário do término do evento. Claro que nem todas. Ainda nesta linha, uma outra preocupação eram com a utilização de materiais recicláveis, redução na quantidade de geração de lixo e dejetos, melhor aproveitamento dos recursos de energia elétrica e água, etc.
Agora do ponto de vista do supermercadistas, acredito que todos estavam meios entediados e com certeza iam aportar nos estandes que oferecessem bebidas e comida de graça, com meninas bonitas e exuberantes, além de alguns shows e ações de entretenimentos com distribuição de brindes e “mimos” garantidos. Mas vale lembrar, que nem sempre essa ferramenta fideliza cliente e faz fechar pedidos ao longo do ano. Isso leva a outra conclusão: será que o tema oficializado pela Associação Paulista de Supermercados vai ser pauta da próxima reunião destes varejistas com seus funcionários de chão ou diretores? Acredito que apenas uma pequena parte está mesmo empenhada em montar um mix de produtos e serviços mais socialmente correto.
Mas, como diz um ditado antigo: uma longa caminhada só acontece depois do primeiro passo. Em um país que ainda temos 50% de pessoas sem acesso aos itens básicos de sobrevivência de uma justa sociedade (alimentação, saúde, ensino e emprego) quem sabe o setor se comprometa a comprar e comercializar produtos e serviços que priorizem uma dieta rica em vitaminas, proteínas diminuindo o índice de obesidade, tenha embalagens ecológicas e recicláveis para menor impacto ambiental, que suas instalações sejam inteligentes, como modernos equipamentos para reduzir o consumo de energia e água durante a operação, funcionários treinados e comprometidos com o tema, etc.
Até breve!
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