Como professor, me cobro muito da responsabilidade que temos nas orientações e observâncias que realizamos ao longo dos semestres para os alunos do nível superior. Uma coisa tem me preocupado bastante: com a facilidade de obter informações no dia de hoje, seria a Internet a solução ou vilã do processo educacional?
Devido a oferta e socialização da informação, através da World Wide Web, pensaríamos: vamos melhorar a qualidade da formação das nossas crianças e jovens, nossos professores serão mais cobrados e deverão ter mais agressividade no seu desenvolvimento e didática em sala de aula, cada vez mais ilustradas, com base no apoio tecnológico e conectadas, e por aí vai.
Mas caro leitor, a realidade ainda é muito diferente da ideologia. Mesmo em universidades e colégios privados, notamos a falta de infra-estrutura para acompanhar a nova realidade do mundo. Nota-se ainda o luxo de aulas com datashow e conexão de Internet em sala de aula. Por outro lado, falta comprometimento da sociedade em cobrar de forma mais efetiva a qualidade necessária para sua formação.
Outro ponto que a Internet favorece: os alunos não lêem mais livros, revistas e jornais. Não assistem mais filmes, TV. Não escutam mais rádio. Isso me preocupa mais, porque, como vamos criar senso crítico nos jovens? Como poderemos discutir linhas de pesquisas de diversos autores? Como vamos exercitar a língua portuguesa, se cada vez mais os trabalhos acadêmicos são frutos de Ctrl+C e Ctrl+V, sem ao menos que as pessoas façam a revisão gramatical ou citem honestamente as fontes de pesquisa? Como vamos ter formação de juízo e valores se cada vez mais vivemos uma sociedade individualista e sem noção da integração?
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